Quem nós somos? Quem
eu sou? Como me descobrir? Como perceber o que sou? Como estar consciente? É
possível controlar meus pensamentos? Posso dominar as minhas emoções?
Segundo a
tradição védica (Indiana), para descobrir quem somos primeiro
é necessário descobrir quem ou o que não somos. É necessário descobrir que não
somos isso ou aquilo, que não somos o corpo, que não somos os pensamentos, que
não somos a emoção, que não somos uma identidade, que não somos um nome, que
não somos um número.
Ao se desfazer de
todo esse véu de identidades, é possível ter um vislumbre de quem realmente
somos: a consciência, o observador, a testemunha.
- Você não é o seu corpo. O seu corpo é feito de mais de milhões de células e essas células estão morrendo e se reformulando a todo tempo. As células são feitas de átomos, que são iguais a qualquer átomo no universo ao redor de nós. Nesse exato momento, vários processos estão ocorrendo no seu corpo, digestão, crescimento de pelos, ativação do sistema imunológico. Tudo acontece sem o seu esforço.
- Você não é seus pensamentos. Pensamentos continuam indo e vindo, não importa o quanto você foca ou medita. Aos estar consciente dos seus pensamentos, você se percebe algo antes, além dos seus pensamentos. Se você fosse os seus pensamentos, não seria capaz de percebê-los. Perceber é separá-los de você e se manter distante desse processo. É criar um espaço entre você e seus pensamentos. Na meditação, ficamos um passo atrás desses pensamentos, mas não os controlamos. Não podemos saber o que vamos pensar nos próximos segundos, mas podemos, no momento presente, estar consciente deles. Quanto mais resistimos aos pensamentos, mais eles persistem. Reconheça-os. É natural à mente pensar, não há nada de errado nisso. Pensamentos são como trens que param na nossa estação, apenas, os perceba. Se você se pegar dentro de um, apenas desça e retorne à estação. Não resista, não julgue e não critique.
- Você não é as emoções. O que vale para os pensamentos também vale para as emoções. Não somos o que podemos observar, ou seja, você apenas observa, mas não pode ser aquilo que observa. Se tivesse o controle total sobre as emoções, você escolheria nunca ficar mal, não é verdade? Se você fosse suas emoções, elas não lhe trariam nenhum tipo de problema.
Você é a consciência,
a presença, o ser, a vivência. A sua natureza é a presença, todo o resto é
distração. Pensamentos e ideias, emoções e imagens, desejos, medos e ações
chegam, mas não é você. Você
está consciente deles, você os testemunha.
Você está consciente
de tudo, tudo chega a você na consciência, pois isso não existe de fato:
iluminação, despertar, inconsciência ou separação. Tudo se torna uma ilusão
sobre o plano de fundo da consciência.
TUDO ESTÁ ACONTECENDO NO MOMENTO PRESENTE, VOCÊ NÃO PODE
FUGIR DISSO.
Para praticar:
1 - Na próxima vez em que perceber uma emoção, ao invés de dizer que você é ou está
assim, diga: Eu observo a minha mente _______ (emoção).
Ex. De “eu estou triste” para “eu
observo a minha mente triste”; de “eu estou com raiva” para “eu observo a minha
mente com raiva”.
2 - Na próxima vez em que perceber uma dor ou desconforto, ao invés de dizer
que você é ou está assim, diga: Eu observo o meu corpo _______ (desconforto).
Ex. De “eu estou com dor de cabeça”
para “eu observo o meu corpo com dor de cabeça”; de “eu estou dolorido” para
“eu observo o meu corpo dolorido”.
3 - Na próxima vez em que perceber um
pensamento limitante, ao invés de dizer que você é ou está assim, diga: Eu
observo a minha mente _______ (qualidade).
Ex. De “eu sou tímido” para “eu observo
a minha mente tímida”; de “eu estou com medo” para “eu observo a minha mente
medrosa” ou “meus pensamentos medrosos”.
Observa os teus pensamentos assim como observas o movimento na rua, como
observas as nuvens flutuando no céu. As pessoas vêm e vão; registra isso sem
resposta, sem qualquer reação. Pode não ser fácil no início, mas, com alguma
prática, irás descobrir que a tua mente pode funcionar em vários níveis ao
mesmo tempo e que podes estar ciente de todos eles. Apenas quando tens um forte
interesse num nível específico é que a tua atenção é aprisionada nele e os
outros níveis te são ocultos. Quando você está interessado na verdade, na
realidade, você deve questionar todas as coisas, mesmo sua própria vida. Ao
crer na necessidade de uma experiência sensorial e intelectual emocionante,
você limita sua investigação à busca de satisfação e de conforto e não vai à
busca da Verdade. Enquanto houver um corpo e uma mente para proteger o corpo, existirão
atrações e repulsões devidas às limitações da mente individual em face de suas
ilusões, suposições, crenças, cultura etc. Existirão no campo dos fatos, mas
não devem trazer preocupação para aquele que está compreendendo. O foco de sua
atenção estará em outro lugar, além da mente. Não estará distraído. Este que
vê o tudo isto e também vê o nada, é o mestre interior, aquilo a que damos o
nome de Deus. Só ele é; todo o restante parece ser. Ele é seu próprio ser, sua
esperança e segurança de liberdade, encontre-o e una-se a ele, isto é; perceba-o,
e estará a salvo e seguro”. A Libertação não é uma aquisição, mas uma questão
de coragem de aceitar que você já é livre e de agir com base nisso. (Do livro
“Eu sou aquilo”, de Shri Nisargadatta Maharaj).
E, ainda, se diz que o conhecimento não é essencial para mudanças de ciclos, transformações necessárias... E você... Ainda, acha que conhece tudo?
Força, Luz e Paz
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